Sexo!
Martha Medeiros
Arrasada. Deprimida. Um trapo.
Foi assim que me senti ao ler o resultado de uma pesquisa encomendada por uma empresa fabricante de preservativos. O resultado foi publicado em dezembro passado em vários jornais e revistas. Humilhante. A pesquisa foi sobre os hábitos sexuais das pessoas dos mais diferentes países. Não incluíram os países latino-americanos na sondagem, talvez porque pensem que somos calientes demais e desequilibramos o jogo. Bom, se somos mais calientes do que o que foi revelado sobre os europeus e asiáticos, chamem os bombeiros.
Vamos aos dados. A pesquisa diz que os Estados Unidos se deram mal na pesquisa. Ficaram em 11º lugar, com apenas 138 relações por ano por pessoa. A manchete da matéria: “Americanos transam menos e caem no ranking do sexo”.
É a vingança cucaracha: potência, vocês? Rá.
Quem tirou o primeiro lugar? Os franceses, com 167 relações por ano (dia sim, dia não). Quem perdeu? Cingapura. Média de 110 encontros sexuais por ano.
Analisando assim por cima, podemos concluir que quem menos transa no mundo, transa uma vez a cada três dias. Os cingapurianos, essas pobres almas, são praticamente uns celibatários.
Meses atrás li uma matéria que dizia que o excesso de apelos eróticos que existe hoje no showbiz e na internet são, na verdade, mais inibidores do que excitantes, e que portanto as pessoas estariam transando menos e fantasiando mais. E isso me pareceu uma conclusão coerente, olha que estúpida. Agora eu sei que isso não faz o menor sentido e que a pesquisa do fabricante de preservativos é que tem credibilidade, pois revela que as pessoas estão curtindo a vida como a vida pede: com luxúria e fartura de parceiros!
Problema meu se, em um ano, tenho outro tipo de fartura: leio uma média de 50 livros, levo minhas filhas no colégio umas 250 vezes (e busco outras 250), vou 96 vezes ao supermercado, escrevo 144 crônicas e respondo mais de 1000 e-mails. São estes os números grandiosos que me rodeiam. Nunca contei o número de transas, mas desconfio que estou perdendo pra Cingapura, e estava achando tudo muito normal. Além de desinformada, praticamente uma freira.
Domingo, 12 de janeiro de 2003.
Desenvolvido por Carlos Daniel de Lima Soares.