Esportes
Luis Fernando Verissimo
Quase todos os esportes tiveram sua origem em algum tipo de brincadeira de infância, mesmo que a "infância", no caso, fosse a da humanidade.
Você pode identificar o provável começo e todas as modalidades olímpicas nas coisas que gostava de fazer quando garoto – como arremesso de pedras contra vidraça de vizinho e corrida de fundo para fugir do vizinho – ou então na História: o salto com vara, por exemplo, certamente começou no sitio a cidades fortificadas, depois de decidirem que atirar javalis, martelos e discos por cima do muro não estava dando resultado.
O futebol começou na pré-história, na primeira vez que um pré-brasileiro fez embaixada com o crânio de um inimigo.
Os homens das cavernas praticavam uma forma primitiva de rúgbi - igual ao que é hoje, mas sem sunga - e nos tempos bíblicos já existiam raquetes de tênis com as quais as pessoas se golpeavam alternadamente, até alguém ter a ideia da bola e da rede.
Num pátio de escola do Oriente, há milhares de anos, um aluno desarrumou o quimono de outro. O outro, em retaliação, desarrumou o quimono do primeiro e quando viram estavam os dois rolando pelo chão, sem largar os quimonos. Depois acrescentaram a filosofia e chamaram de “Jiu-Jitsu”.
O pólo a cavalo foi uma invenção dos mongóis, mas na época não usavam bola e era chamado "invadir o Ocidente".
O pólo aquático é derivado do esporte mongol e também começou há muitos anos, mas só recentemente decidiram eliminar os cavalos, que sujavam muito as piscinas.
O “cricket”, na sua origem, era um substituto para a sesta entre jovens aristocratas ingleses, uma forma de dormirem e se exercitarem ao mesmo tempo.
Se muitos esportes começaram como divertimentos infantis, é surpreendente que outros esportes não tenham se desenvolvido a partir de jogos de criança. Poderiam existir campeonatos internacionais de bola de gude, por exemplo, ou de cuspe a distância, entre adultos. Por que não equipes de cuspe a distância desfilando orgulhosamente nas delegações olímpicas? É uma forma de competição que exige habilidade incomum e noções de física e balística, além de facilitar o exame antidoping imediato.
Se o ciclismo hoje movimenta multidões e fortunas e cria celebridades na Europa, por que não poderia acontecer o mesmo com bater figurinha?
E sempre achei que o mundo seria outro se a briga de travesseiro tivesse sido regulamentada e hoje fosse um esporte como o boxe, disputado por atletas em diversas categorias - almofadas, almofadões, travesseiros de penas ou de espuma, etc. As brigas poderiam ser simples, de duplas ou entre equipes masculinas e/ou femininas e realizadas dentro de convenções internacionais, com regras padronizadas para evitar o sufocamento, ou travesseiros com peso escondido, ou fronhas fora das especificações oficiais. As multinacionais competiriam na fabricação de pijamas para competição e, claro, travesseiros profissionais.
Pensamentos vagos de uma mente ociosa, esperando a Copa do Mundo.
Domingo, 5 de março de 2006.
Desenvolvido por Carlos Daniel de Lima Soares.